
Em meio a tantas narrativas rápidas, luzes artificiais e apelos comerciais que costumam marcar o período natalino, nós fizemos uma escolha ousada, sensível e profundamente educativa: Contar a história do Natal a partir dos Salmos, um dos livros mais antigos, poéticos e humanos das Sagradas Escrituras.
Assim nasceu a cantata “O Canto dos Salmos”- O que o homem rezou com palavras, Deus respondeu com um menino!
Uma proposta que, à primeira vista, poderia parecer distante do universo infantil. Mas foi justamente aí que se revelou sua maior beleza: confiar às crianças a missão de dar voz a uma espiritualidade profunda, acessível, verdadeira e cheia de significado.
Por que os Salmos?
Os Salmos são orações em forma de canto. Neles estão reunidos todos os sentimentos humanos: a espera, o medo, a esperança, a confiança, o louvor, a gratidão. São palavras antigas, mas eternamente atuais, porque falam de um coração humano num diálogo com Deus.
Ao escolher os Salmos como fio condutor da cantata, a escola propôs algo essencial: mostrar que o Natal não começa em Belém, mas muito antes , no clamor, na espera e na fé de um povo que, ao longo da história, cantou suas dores e esperanças confiando que Deus escutava. E Ele escutou.
O nascimento de Jesus foi apresentado não apenas como um acontecimento histórico, mas como a resposta viva de Deus a todos esses cantos, a todos esses salmos rezados ao longo dos séculos. O Natal, assim, deixou de ser apenas uma data comemorativa para se revelar como o ápice da manifestação de Deus na história da humanidade.
Crianças podem ser portadoras de grandes mensagens…
As crianças não foram chamadas para representar personagens, mas para narrar sentidos, para rezar com o corpo, com a voz, com os gestos, tornando visível aquilo que muitas vezes os adultos já se esqueceram de enxergar.
Com lamparinas nas mãos, danças simbólicas, gestos suaves e leituras breves dos Salmos, os alunos conduziram o público por um caminho espiritual marcado por quatro palavras-chave: espera, escuta, fé e amor. Caminhos simples, mas profundamente cristãos e possíveis de serem vividos desde a infância.
A delicadeza com que tudo foi apresentado mostrou que criança também entende de espiritualidade, principalmente quando esta lhe é apresentada com verdade, beleza e sentido.
A Bíblia continua sendo o livro da Vida…
Outro aspecto central da cantata foi o convite feito às famílias.
Ao trazer os Salmos para o centro da narrativa, a escola, através da voz das crianças, reforçou a importância de resgatar a Bíblia como livro de vida, presente no cotidiano, na oração em família, nas conversas simples e nos momentos de dificuldade e agradecimento.
A cantata não foi apenas uma apresentação. Foi um chamado silencioso e amoroso para que pais e responsáveis reconheçam a riqueza das Sagradas Escrituras, como fonte de valores, formação humana e espiritual, tão necessários nos dias atuais.
Educar é também evangelizar com amor…
Mais do que ensinar conteúdos, reafirmamos, enquanto escola, nossa essência educativa: formar pessoas inteiras, formar o coração de estudantes capazes de pensar, sentir, cuidar, respeitar e transcender.
A escolha de um tema tão profundo para uma cantata infantil revela uma pedagogia que confia, que acredita na potência das crianças e que entende que evangelizar não é impor, mas revelar sentidos com beleza, com arte e com amor.
Ao final da apresentação, ficou claro para todos os presentes que o Natal não é apenas luz, música e celebração:
O Natal é resposta! É encontro! É vida que nasce do canto!
E, naquela noite, pelas vozes das crianças, a canção realmente virou vida!!
Que o canto das crianças continue ecoando. Que os Salmos voltem a habitar os lares, as conversas, os silêncios e as orações em família. E que o Natal, mais do que uma data, permaneça como presença viva: Deus que escuta, responde e caminha conosco, ontem, hoje e sempre!
Por: Maria Aparecida Richetti
Coordenadora Pedagógica
























